{"id":5191,"date":"2020-01-16T11:00:30","date_gmt":"2020-01-16T11:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/museulourinha.org\/?p=5191"},"modified":"2020-01-16T10:06:45","modified_gmt":"2020-01-16T10:06:45","slug":"investigador-do-museu-da-lourinha-resolve-misterio-com-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/2020\/01\/16\/investigador-do-museu-da-lourinha-resolve-misterio-com-decadas\/","title":{"rendered":"Lourinh\u00e3 Museum researcher solves decades-old mystery"},"content":{"rendered":"<p>Researcher Miguel Moreno Azanza, from Universidade Nova de Lisboa and Museu da Lourinh\u00e3, collaborated on a study of fossil eggshells, solving a mystery that was around three decades old. What animal laid these eggs?<\/p>\n<p>Saiba mais no comunicado de imprensa que se segue.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Outro quebra-cabe\u00e7a de dinossauro resolvido pelos paleont\u00f3logos, com a colabora\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es portuguesas<\/strong><\/p>\n<p>Uma nova pesquisa, publicada recentemente na revista <em>Papers in Paleontology<\/em>, forneceu uma resposta conclusiva, embora surpreendente, a respeito de um tipo estranho de casca de ovo f\u00f3ssil, utilizando uma t\u00e9cnica de investiga\u00e7\u00e3o inovadora.<\/p>\n<p>Este trabalho de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi conduzida por uma equipa internacional liderada por Seung Choi da Universidade Nacional de Seul (Coreia do Sul) e incluindo Yuong-Nam Lee (Universidade Nacional de Seul, Coreia do Sul), juntamente com Miguel Moreno-Azanza (Universidade Nova de Lisboa; Museu de Lourinh\u00e3, Portugal), Zolt\u00e1n Csiki-Sava (Universidade de Bucareste, Rom\u00eania) e Edina Prondvai (Universidade de Ghent, B\u00e9lgica, atualmente no Grupo de Pesquisa de Paleontologia do MTA-MTM-ELTE).<\/p>\n<p>A equipa conseguiu determinar a verdadeira identidade de um tipo peculiar de casca de ovo f\u00f3ssil chamado <em>Pseudogeckoolithus<\/em>, encontrado no final do per\u00edodo Cret\u00e1cico (de cerca 85 a 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), e que confundiu os paleont\u00f3logos europeus por v\u00e1rias d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>As cascas de ovos de <em>Pseudogeckoolithus<\/em> s\u00e3o encontradas no sul da Europa e norte da \u00c1frica, sendo muito finas (espessura geralmente menor a 0,3 mm). Alguns aspetos de sua microestrutura assemelham-se \u00e0s cascas de ovos de alguns dinossauros predadores, enquanto outros permanecem nas cascas de ovos modernas de osgas. Al\u00e9m disso, estas cascas s\u00e3o caracterizadas por uma ornamenta\u00e7\u00e3o \u00fanica, em forma de n\u00f3, sendo nesse aspeto tamb\u00e9m notavelmente semelhante \u00e0s cascas de ovos de algumas osgas modernas. Assim, esses f\u00f3sseis eram comumente conhecidos como cascas de ovos &#8216;geckoid&#8217;, pelos especialistas.<\/p>\n<p>\u201cEsse foi um caso de um sinal muito confuso dentro do registo f\u00f3ssil do Cret\u00e1cico Europeu tardio. Devido \u00e0 sua semelhan\u00e7a com as cascas de ovos de osga modernas, <em>Pseudogeckoolithus<\/em> era frequentemente considerado uma prova da presen\u00e7a de lagartos antigos semelhantes a osgas no arquip\u00e9lago tropical a que corresponde atualmente a regi\u00e3o sul da Europa, no final do reinado dos dinossauros\u201d, diz Csiki-Sava da Universidade de Bucareste, um dos coautores deste estudo.<\/p>\n<p>A fim de esclarecer a identidade dos ovos de <em>Pseudogeckoolithus<\/em>, a equipa investigou f\u00f3sseis de casca de ovo &#8216;geckoid&#8217; da Rom\u00eania, Hungria e Espanha usando uma nova t\u00e9cnica chamada an\u00e1lise de &#8216;Electron Backscatter diffraction&#8217; (EBSD) para revelar seu padr\u00e3o cristalogr\u00e1fico detalhado e compar\u00e1-lo com o dos ovos de osgas, bem como de p\u00e1ssaros e dinossauros extintos semelhantes a p\u00e1ssaros, os chamados maniraptores. \u201cAgora temos certeza de que as cascas de ovos de osgas modernas e as cascas de ovos de dinossauros t\u00edpicas (incluindo aves) t\u00eam arranjos cristalogr\u00e1ficos completamente diferentes\u201d, explica Choi, que j\u00e1 havia estudado em detalhe cascas de estes animais usando a mesma t\u00e9cnica. \u201cAssim, decidimos comparar a imagem cristalogr\u00e1fica de <em>Pseudogeckoolithus<\/em> com a das cascas de ovos de osga e p\u00e1ssaros modernos, bem como a de pequenos dinossauros, para resolver o enigma de <em>Pseudogeckoolithus<\/em>.\u201d De facto, os investigadores puderam confirmar que <em>Pseudogeckoolithus<\/em>, com seus cristais da casca do ovo que crescem da superf\u00edcie interna para a superf\u00edcie externa da casca t\u00eam um arranjo cristalogr\u00e1fico completamente diferente do da casca de ovo da osga moderna, onde o crescimento de cristais parece prosseguir da superf\u00edcie externa para dentro.<\/p>\n<p>Por outro lado, as cascas de ovos de <em>Pseudogeckoolithus<\/em> mostram um arranjo cristalogr\u00e1fico t\u00edpico dos p\u00e1ssaros e seus ancestrais maniraptores, aos quais tamb\u00e9m pertence o principal vil\u00e3o do filme Jurassic Park, o <em>Velociraptor<\/em>. \u201cAs cascas de ovos de <em>Pseudogeckoolithus<\/em> s\u00e3o t\u00e3o finas e fr\u00e1geis que \u00e9 dif\u00edcil encontrar fragmentos bem preservados que permitam estudar todas as caracter\u00edsticas t\u00edpicas da casca de ovo de um dinossauro, como por exemplo, v\u00e1rias camadas com diferentes tipos de cristais. No entanto, o EBSD permitiu-nos identificar essas estruturas, mesmo nas amostras menos bem preservadas, confirmando que <em>Pseudogeckoolithus<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma verdadeira casca de ovo de osga. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que as osgas fossem comuns no Cret\u00e1cico Superior da Europa, como foi muitas vezes interpretado anteriormente\u201d, comenta Moreno-Azanza, da Universidade Nova de Lisboa e Museu de Lourinh\u00e3, outro coautor. \u201cA identidade enganosa de <em>Pseudogeckolithus<\/em> j\u00e1 foi abordada por Nieves L\u00f3pez-Mart\u00ednez e Monique Vianey, cientistas que nomearam este tipo de cascas nos anos 90. Eles classificaram essa casca de ovo como dinossauro, chamando-a de &#8216;ovo de pedra parecido com uma osga&#8217;, que \u00e9 o que <em>Pseudogeckoolithus<\/em> representa. Agora, estas novas t\u00e9cnicas permitiram-nos confirmar firmemente sua observa\u00e7\u00e3o inicial &#8211; estas cascas pertencem a ovos postos por dinossauros\u201d.<\/p>\n<p>De facto, a ampla distribui\u00e7\u00e3o de cascas de ovos de <em>Pseudogeckoolithus<\/em> na verdade significa a presen\u00e7a de pequenos dinossauros predadores semelhantes a p\u00e1ssaros, provavelmente intimamente relacionados, em toda a Europa durante o final do per\u00edodo Cret\u00e1cico. \u201c\u00c9 not\u00e1vel o qu\u00e3o difundidas s\u00e3o as cascas de ovos do tipo <em>Pseudogeckoolithus<\/em>. Eles aparecem praticamente em todo o arquip\u00e9lago do final do Cret\u00e1cico, independentemente da posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, ambiente sedimentar ou idade. Agora, com base na abund\u00e2ncia de suas cascas de ovos, podemos visualizar facilmente o grande n\u00famero de pequenos dinossauros predadores de penas que vagueavam por essas ilhas tropicais, mesmo quando f\u00f3sseis dos seus corpos s\u00e3o muito raros ou mesmo inexistentes.\u201d, explica Csiki-Sava.<\/p>\n<p>Surpreendentemente, <em>Pseudogeckoolithus<\/em> tem muitas caracter\u00edsticas em comum com as cascas de ovos dos megapodes, p\u00e1ssaros modernos que constroem grandes montes de terra e vegeta\u00e7\u00e3o e enterram seus ovos dentro. No monte, as mat\u00e9rias org\u00e2nicas s\u00e3o fermentadas, produzindo o calor necess\u00e1rio para chocar os ovos. As cascas de ovos de <em>Pseudogeckoolithus<\/em> e megapode s\u00e3o finas, possuem canais respirat\u00f3rios semelhantes a funil e uma ornamenta\u00e7\u00e3o semelhante, uma combina\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas que, de outra forma, \u00e9 muito rara nas cascas modernas de ovos de aves. \u201cCom base nessas caracter\u00edsticas e nas propor\u00e7\u00f5es de espessura da casca dos ovos, os pr\u00f3prios ovos provavelmente n\u00e3o eram maiores que os ovos de um corvo (cerca de 3&#215;4 cm) e foram depositados num ninho enterrado. No entanto, a pr\u00f3pria m\u00e3e provavelmente era maior que um corvo, talvez do tamanho de uma galinha, porque a p\u00e9lvis dos dinossauros era mais estreita e, portanto, os seus ovos eram proporcionalmente menores do que os das aves modernas.\u201d, diz Prondvai, que tamb\u00e9m contribuiu para o estudo.<\/p>\n<p>\u201cEste estudo \u00e9 um exemplo muito bom do porqu\u00ea e de como os m\u00e9todos anal\u00edticos avan\u00e7ados e sofisticados se tornam cada vez mais importantes na paleontologia. Eles podem n\u00e3o apenas identificar organismos f\u00f3sseis, onde outros m\u00e9todos tradicionais falham, mas tamb\u00e9m podem lan\u00e7ar uma nova luz sobre sua distribui\u00e7\u00e3o, vida e evolu\u00e7\u00e3o.\u201d, conclui Choi, principal autor deste estudo.<\/p>\n<p>Esta pesquisa faz parte do projeto XTalEggs (PTDC\/CTA-PAL\/31656\/2017), financiado pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e a Tecnologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O artigo pode ser encontrado <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1002\/spp2.1294\">here<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O investigador Miguel Moreno Azanza, da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinh\u00e3, colaborou num estudo sobre cascas de[Ler Mais &#8230;]<\/p>","protected":false},"author":8,"featured_media":5193,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[77],"tags":[],"class_list":["post-5191","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5191"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5191\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5193"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/museulourinha.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}